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MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE (1765-1805)

Bocage nasceu na cidade de Setúbal, em 15 de setembro de 1765, filho de um advogado com veleidades poéticas e espírito gozador e de uma senhora de ascendência francesa que o deixou órfão aos 10 anos. Conta-se que o poeta teria começado a escrever poesia aos 8 anos de idade, ironizando uma situação desconfortável a que foi submetido numa procissão.

Adolescente, apaixonou-se por Gertrudes, chamada de Gertrúnia em seus poemas, mas deixou-a com promessas de retorno para alistar-se no regime de Infantaria de setúbal aos 16 anos. Mais tarde, alistou-se no corpo da Marinha Real para fazer um curso náutico de três anos. Levou cinco anos para concluí-lo, pois a vida boêmia o interessava mais do que a patente de guarda-marinha a ser adquirida.

Em 1786, aos 21 anos, embarcou para o Rio de Janeiro e de lá para Goa, na Índia. Como era um excelente declamador de poesias, logo tornou-se popular. Levou uma vida orgíaca e boêmia, mas prosseguiu nos estudos e chegou a tenente. Enfadado com a vida decadente daquela colônia portuguesa, desertou e foi acolhido em outra: Macau. Lá teve fim sua carreira militar. Em 1790, retornou a Lisboa graças à ajuda financeira de outras pessoas. Encontrou Gertrudes com seu irmão mais velho, Gil Bocage, e caiu em desgosto. Poeta sempre teve uma estranha identificação pessoal com Camões. Não apenas uma admiração literária tampouco uma identificação à consciência de que possuía enorme influência poética do autro de Os Luziadas; era uma identificação cósmica, espiritual, que o levava a enchergar muitas coincidências nos destinos de ambos. A vida errante na marinha, a vida boêmia, os amores baldados... A depressão que experimentou ao ver a antiga namorada nos braços de seu irmão reforçou-lhe a comunhão trágica que julgava manter com Luiz de Camões.

A Camões, Comparando com os Dele os Seus Próprios Infortúnios

Camões, grande Camões, quão semelhante
acho teu fado ao meu, quando os cotejo!
Igual causa nos fez perrdendo o Tejo
Arrostar co sacrilego gigantes:

Como tu, junto ao Ganges sussurrante,
Da penúria cruel no horror me vejoç
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Tamb~em carpindo estou, saudoso amante:

Ludíbrio, como tu, da sorte dura
Meu fim demando ao Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura:

Modelo meu tu és... Mas,, oh tristeza!...
Se te imito nos transes da ventura,
Não te imito nos dons da Natureza.

BOCAGE. Poemas Escolhidos. São Paulo, Cultrix, s. d.

 

Retrato Próprio

Magro, de olhos azuis, carção moreno
Bem servido de pés, meção na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por faça escura
De zelos infernai letal veneno:

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades:

Eis Bocage, em quem luz alguma talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Amanhã

MANUEL BOTELHO DE OLIVEIRA
(1636-1711)

Foi o primeiro poeta brasileiro a ter uma obra impressa: Música do Parnaso, de 1705, livro que reuniu poemas em Português, Espanhol, Latim, e Italiano e duas comédias. Se teve algum talento, foi a habilidade gongórica de versejar. Tirante essa habilidade formal, seus conteúdos não foram notáveis.

 

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