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Manoel Maria Barbosa du Bocage (1795-1805), para o poeta Olavo Bilac, foi o "mais límpido versificador que já praticou a nossa língua". Para outros, seu nome acoberta muito de pornografia e libertinagem que correm anônimas em piadas sem nenhum valor literário... Esta vulgarização tem algumas explicações, sendo a mais aceita a confusão entre o português e o "fanfarrão" italiano Bocaccio. `Bocage', um espetáculo de poesia, leva ao teatro o poder da palavra lírica e profana deste poeta português. O roteiro se baseia em uma longa pesquisa de textos, documentos, prólogos originais e trechos da peça "Os primeiros amores de Bocage", de José da Silva Mendes Leal (Lisboa, 1865). O espetáculo transforma o Café do Glaucio (Copacabana), em uma taberna portuguesa, de quarta à sexta, sempre às 18h30min e a preços populares: cinco reais; e ocupa o Satchmo à meia noite, nas quintas de março (a partir do dia 9). A trilha sonora original é executada ao vivo – alguns poemas foram musicados – as velas espalhadas no ambiente transportam o público para o passado no velho continente. O lirismo e o erotismo ilustram a força da palavra do autor. Os atores passeiam pelo público marcando o clima intimista.
A FROUXIDÃO NO AMOR É UMA OFENSA 

A frouxidão no amor é uma ofensa, 
Ofensa que se eleva a grau supremo; 
Paixão requer paixão; fervor, e extremo 
Com extremo e fervor se recompensa. 

Vê qual sou, vê que dif(e)rença! 
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo; 
Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo; 
Em sombras a razão se me condensa. 

Tu só tens gratidão, só tens brandura, 
E antes que um coração pouco amoroso 
Quisera ver-te uma alma ingrata e dura. 

Talvez me enfadaria aspecto iroso; 
Mas de teu peito a lânguida ternura 
Tem-se cativo, e não me faz ditoso 

 

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