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Soneto

Não vês, Nise, este vento desabrido, 
Que arranca os duros troncos? Não vês esta,
Que vem cobrindo o Céu, sombra funesta,
Entre o horror de um relâmpago incendido?

Não vês a cada instante o ar partido
Dessas linhas de fogo? Tudo cresta,
Tudo consome, tudo arrasta, e infesta
O raio a cada instante despedido.

Ah! não temas o estrago, que ameaça
A tormenta fatal, que o Céu destina
Vejas mais feia, mais cruel desgraça.
						
Rasga o meu peito, já que és tão ferina,
Verás a tempestade que em mim passa,
Conhecerás então o que é ruína.

Cláudio Manuel da Costa in Antônio Cândido de Mello e
Souza e José Aderaldo Castello, Presença da literatura 
brasileira, p. 141.

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