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CRUZ E SOUSA

João de Cruz e Souza, nascido em 1862, em Santa Catarina. Sua obras "Missal", "Faróis", "Broquéis", "Últimos Sonetos" e "Evocações".


SUPREMO VERBO

- Vai, Peregrino do caminho santo,
Faz da tu'alma lâmpada do cego,
Iluminado, pego sobre pego,
As invisíveis amplidões do Pranto.

Ei-lo, do Amor o cálix sacrossanto!
Bebe-o, feliz, nas tuas mãos o entrego…
Eis o filho leal, que eu não renego,
Que defendo nas dobras do meu manto.

- Assim ao Poeta a Natureza fala!
Enquanto ele estremece ao escutá-la,
Transfigurado de emoção, sorrindo…

Sorrindo a céus que vão se desvendando,
A mundos que se vão multiplicando,
A portas de ouro que se são abrindo!

CAMINHO DA GLÓRIA

Este caminho é cor-de-rosa e é de ouro,
Estranhos roseirais nele florescem,
Folha augustas, nobres reverdecem
De acanto, mirto e sempiterno louro.

Neste caminho encontra-se o tesouro
Pelo qual tantas almas estremecem;
É por aqui que tantas almas descem
Ao divino e fremente sorvedouro.

É por aqui que passam meditando,
Que cruzam, descem, trêmulos, sonhando,
Neste celeste, límpido caminho

Os seres virginais que vêm da Terra,
Ensangüentados da tremenda guerra,
Embebedados do sinistro vinho…

VIDA OBSCURA

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tanto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste no silêncio escuro
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes,
Tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos,
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profunda!

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