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GABRIELA MISTRAL

Seu nome verdadeiro é Lucila Godoy Alcayaga, nasceu no Chile em 1889. Começou a vida como professora primária e a Universidade do Chile concedeu-lhe sem exigência de provas o titulo de professora. Em 1922 recebeu uma comissão do governo para estudar, no México, a organização das bibliotecas. Depois de viajar pelos EUA e Europa, regressou ao Chile, onde continuou sua função educativa. Em 1926, foi adida à sociedade das Nações, secretariando mais tarde, o instituto de Cooperações intelectual. Ingressou depois na carreira diplomática, tendo representado seu país, como cônsul, em vários lugares. Seu primeiro livro de versos "Sonetos de la muerte", foi premiado no Jogos Florais de Santiago, em 1914, publicou depois: "Desolacion" e, em prosa, "La oración de la maestra" e "vida de S. Francisco de Assis" Recebeu recentemente o Prêmio Nobel de Literatura.


A SÚPLICA

Senhor, bem sabes como eu me dirijo ao céu,
rogando pelos que a minha alma te invoca.
Venho agora pedir por alguém que era meu,
Meu vaso de frescura e mel de minha boca.

Cal de meus ossos e razão desta jornada,
gorjeio de um ouvido e tear de minha veste.
cuido daqueles a quem nunca devi nada.
Não te zangues, Senhor, se te peço por este.

Digo-te que era bom, digo-te que teria
o coração à flor do peito, digo que era
suave de índole, franco, e como a luz do dia,
em milagres irmão da própria primavera.

Severo, tu dirás que é de rogos indigno
e que não soube ungir os seus lábios febris
e uma tarde se foi sem aguardar teu signo,
partindo as veias como cântaros sutis.

Mas eu, Senhor, eu te respondo que hei tocado,
como o nardo que em seu perfil vi florescer,
todo esse coração inquieto e atormentado
e tinha a sede de um capulho por nascer.

Que foi cruel? Senhor, esqueces que o queria
e que sabia sua entranha que chegava
Que secou para sempre as minhas alegrias
Não importa, Senhor. Compreendes que eu o amava.

E amar, bem sabes disso, é um estranho exercício,
manter os rostos sempre em lágrimas molhados
de beijos refrescar as tranças dos cilícios,
sob elas escondendo os olhos extasiados.

O ferro, ao penetrar, tem um gostoso frio
Quando abre como quilha as carnes amorosas.
E a Cruz  recordarás o teu drama sombrio  
carrega-te também como um galho de rosas.

Aqui estou, Senhor, com a pálpebra caída
sobre o pó, a falar-te um crepúsculo inteiro
ou aqueles todos a que alcance minha vida,
se tardas em dizer-me a palavra que espero.

Cansarei teu ouvido em soluços nervosos,
lambendo humildemente as fímbrias de teu manto,
nem me podes desviar os olhos amorosos
nem esquivar os pés às águas de meu pranto.

Dize o perdão, enfim. Vai espargir o vento 
a palavra, e o odor de cem pomos de odores
ao derramar-se, a água será um deslumbramento:
o ermo deitará flor e canteiros de flores.

De luz se molharão os olhares das feras,
e, vendo tudo, estas montanhas que forjaste
chorando acordarão o chão de primaveras.
e toda a terra, então, saberá que perdoaste.
(Trad. de Oswaldo Orico)

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