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GARCIA LORCA

 



O POETA

Porque a minha boca
Se abre em riso franco
E as canções nascem
Do fundo da garganta
Não acreditam que eu sofra
De ter carregado minha pena
Tanto tempo.

Porque a minha boca
Se abre em riso franco
Não ouvem o grito
Que sobe de meu peito
E como meus pés
Se alegram na daná
Não suspeitam sequer
Que eu morro…
(Trad. de Sérgio Millet)

CANTO DA TERRA

Este é um canto da terra
E eu andei longo tempo à espera de um canto da terra

Este é um canto de primavera
E eu andei longo tempo à espera de um canto de primavera
De um canto forte como os rebentos de uma planta jovem
Forte como a explosão dos brotos novos
Forte como a irrupção do primeiro filho do ventre materno.
Este é  um canto da terra
Um canto de carne
Um canto de primavera
E eu andei longo tempo à espera desse canto de primavera.
(Trad. de S Mileto)

KU KLUX

Eles me arrastaram para fora,
Para um lugar solitário.
E perguntaram: "Acredita
Na grandeza da raça branca?"

Eu respondi, "Senhores,
Para dizer a verdade
Acreditarei no que quiserem
Conquanto me deixem ir embora

"O homem branco então disse: "Rapaz
Quem me garante
Que você não fique por aí
À espera, pra me assassinar?"

Então me deram uma pancada na cabeça
E me derrubaram atordoado,
E me encheram de pontapés,
No chão.

E o valentão gritou: "Negro,
Olhe pra mim, negro,
E jure que você acredita
Na grandeza da raça branca". 
(T S millet)

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