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GREGÓRIO DE MATOS

Gregório de Matos Guerra nasceu em 1633. Passou a infância na Baía, e estudou leis em Coimbra, doutorando-se. Advogou em Lisboa, onde também foi juiz do crime, e depois numa comarca próxima serviu como juiz de órfãos e ausentes. Mas a sua veia satírica, que lhe valeria mais tarde a alcunha de "Boca do Inferno", tornou-o malquisto na Corte. Preterido num cargo que ambicionava, resolveu retirar-se para o Brasil. Veio para a Baía, e D. Gaspar Barata que tinha sido seu companheiro de viagem, fê-lo tesoureiro da Sé e vigário geral. Não tardou o poeta a incompatibilizar-se com o substituto de D. Gaspar, por não querer vestir o hábito sacerdotal, q que o obrigavam suas funções. Acabou sendo demitido. Inimizado com os religiosos, inimizado com o governo, mal visto pela sociedade, Gregório de Matos levava vida solta, vingando-se a poder de versos satíricos, da desconsideração a que decaíra. Fez então sátira contra tudo e contra todos. Contra brasileiros e portugueses. Contra os brancos, negros e mulatos e também contra a pretendida fidalguia indígena. Afinal, deportado para Angola, lá esteve por algum tempo. De regresso, vai residir em Pernambuco, continuando a mesma vida de boêmio e brigas. Morreu em Recife, no ano de 1696. Gregório de Matos escreveu poesias líricas, religiosas e satíricas. Não foi um grande poeta, diz Manoel Bandeira, mas era uma personalidade forte, a primeira que se afirmava no Brasil. Sem dúvida a parte melhor de sua obra é a satírica. Mas um ou outro soneto de feição lírica ainda hoje é lido com indiscutível prazer espiritual.


SONETO

Pequei Senhor: mas não porque hei pecado,
Da vossa Alta Piedade me despido:
Antes, quando mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhada.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido;
que a mesma culpam, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida, já cobrada
Glória tal, e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,

Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada;
Cobrai-a; e não querias, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

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