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JOSÉ ANCHIETA

 

"A José de Anchieta cabe, sem dúvida alguma, o título de iniciador da literatura brasileira. Natural de Tenerife, veio para o Brasil com 19 anos, e mal chegado deu início ao trabalho de catequese dos índios. Enviado para São Vicente, ali desenvolveu intensa e fecunda atividade. Certo que estava da necessidade de falar aos aborígenes na mesma língua que eles falavam, dedicou-se com afinco ao estudo do tupi, que chegou a dominar com grande desembaraço. Escreveu mesmo uma "Arte de Gramática da língua mais usada na costa do Brasil", tendo ainda traduzido o catecismo e dado início a um vocabulário. Seu apostolado exercia-se tanto sobre os índios como sobre os reinóis e os primeiros brasileiros. Nomeado reitor do colégio de São Vicente, ocupou esse cargo por oito anos, passando então para a casa do Espírito Santo, em Reritiba (hoje Anchieta) onde faleceu como superior, aos sessenta e três anos de idade. Mas a ação de Anchieta não se limitou exclusivamente ao magistério. Servindo-se do teatro como meio de divertir e edificar os colonos e o gentio, escreveu peças que fazia representar ante o assombro dos índios. Além disso, Anchieta escreveu ainda inúmeras poesias em latim, português, espanhol e tupi. Em latim é o poema da "Virgem Maria" composto quando o padre se encontrava em Iperoig, como refém nas mãos dos selvagens. O padre Serafim Leite transcrevendo, na sua "História da Companhia de Jesus", as "Trovas a Santa Inez" acentua que elas "unem ao pensamento teológico da graça uma sugestão eucarística do mais puro lirismo"

 

(1) …
A SANTA INEZ
NA VINDA DE SUA IMAGEM

Cordeirinha linda,
Como folga o povo,
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo.
Cordeirinha santa,
De Jesus querida,
Vossa santa vida 
O diabo espanta.
Por isso vos canta
Com prazer o povo,
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo.

Nossa culpa escura
Fugirá depressa,
Pois vossa cabeça
Vem com luz tão pura.
Vossa formosura
Honra é do povo,
Porque vossa vinda 
Lhe dá lume novo,

Virginal cabeça,
Pela fé cortada,
Com vossa chegada
Já ninguém pereça;
Vinde mui depressa
Ajudar o povo,
Pois com vossa vinda
Lhe dais lume novo.

Vós sois cordeirinha
De Jesus Formoso;
Mas o vosso esposo
Já vos fez Rainha.
Também padeirinha
Sois do vosso povo,
Pois com vossa vinda
Lhe dais trigo novo.

Não é de Alentejo
Este vosso trigo,
Mas Jesus amigo
É vosso desejo.
Morro, porque vejo 
Que este nosso povo
Não anda faminto 
Deste trigo novo.

Santa Padeirinha,
Morta com cutelo,
Sem nenhum farelo 
É vossa farinha.
Ela é mezinha
Com que sara o povo,
Que com vossa vinda
Terá trigo novo.

O pão que amassastes
Dentro em vosso peito,
É o amor perfeito 
Com que Deus amastes.
Deste vos fartastes,
Deste dais ao povo
Porque deixe o velho
Pelo trigo novo.

Não se vende em praça
este pão da vida,
Porque é comida
Que se dá de graça;.
Ó preciosa massa!
Ó que pão tão novo,
Que com vossa vinda
Quer Deus dar ao povo!

Ó que doce bolo
Que se chama graça!
Quem sem ela passa
É mui grande tolo,
homem sem miolo
qualquer deste povo
Que não é faminto
deste pão tão novo.

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