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LAMARTINE

Alphonse Marie Louis de Prat de LAMARTINE, poeta, romancista, historiador e estadista francês, nasceu em 1790, estreando na poesia, em 1820, com as "Meditações poéticas", que assinalam o inicio da evolução romântica na França. Três anos depois aparecem "Novas meditações", seguidas da "Morte de Sócrates" (1823), do "Último canto de Chile e Hard" "Jocelyn ", "Queda de um anjo", etc. Além dessas "História da Restauração" (1851-53), "História da Turquia" (1854), "Viagem no Oriente" (1835), "Confidências" (1849), de que faz parte o romance "Rafael", "Genoveve" (1851), "Regina" e "Graziela" (1852), "Cursos familiares de literatura" (1856), etc. Tendo passado parte da sua mocidade na Itália, onde ocupou depois vários cargos diplomáticos, fez parte, de 1838 até a Revolução de 1848, da Assembléia Nacional, e como ministro das Relações Exteriores teve grande preponderância nos primeiros atos da República. Se bem que brilhante, foi, contudo, efêmero o seu papel na política. Morreu em 1869.

O LAGO

Errando, sem parar, de plaga em plaga
Da noite eterna o golfão demandando,
Não poderemos nós no mar dos evos
Ancorar um só dia?

Ó lago, um ano é findo! e em tuas praias
Tão queridas, que ainda Ela ver quisera,
Repara! eis-me hoje só sobre esta penha
Em que a viste sentada!

Assim fremias tu nas cavas rochas;
Assim no embate o seio lhe rompias;
Assim também de espuma salpicavas
Os seus pés adorados.

Era noite e em silêncio nós vagávamos
O rumor só se ouvia  não te lembras?
Dos remos, que cadentes te talhavam
As harmônicas vagas.

Eis súbito das ribas encantadas
Ignoto acento vibra e os ecos fere;
A vaga emudeceu, da voz amável
Caíram tais palavras:

"Pára, ó tempo, teu vôo! horas propícias,
"Suspendei vosso curso!
"Gostar deixai-nos as delícias rápidas
"Dos nossos belos dias!

"Não poucos desgraçados vos imploram;
"Correi, correi pra eles:
"Levai os dias seus e as suas mágoas;
"Esquecei os felizes.

"Mas debalde inda peço alguns instantes;
"O tempo escapa e foge.
"Digo à noite: "sê mais pausada" e à aurora:
	"Vem dissipar a noite."

"Amemos, pois, amemos! fugaz tempo,
	"Eia! aproveitemo-lo!
"O homem não tem posto à idade termo;
	"Ele corre e passamos."

Pois é crível que instantes tão suaves,
Em que amor de delícias nos inunda,
Fujam velozes, tempo ingrato, como
	Os dias da desgraça?

Pois que! nem seus vestígios permanecem?
Que! passados já são! já são perdidos?
Nem o tempo, que os deu, que os arrebata,
No-los dará de novo?

Nada, passado, eternidade, abismo!
Os dias que tragais que é feito deles?
E pagar pretendeis sublimes êxtases
	Que nos roubais, dizei-nos?

Ó Lago! ó grutas! relvas! mudas rochas!
Vós que o tempo respeita, ou que remoça,
Desta noite guardai, guardai vós todos
	Ao menos a lembrança!

Viva ela em teu repouso, em teus marulhos,
Belo Lago, e nos teus vergéis risonhos;
Nesses rudes penedos, negros troncos
	Que pra ti se debruçam!

Viva nas ruas que murmuram, fogem,
No crebo estrepitar das tuas praias,
Nesse astro que prateia as tuas águas
	Com seus moles fulgores!

E a aragem que suspira, a haste que geme,
De teu ar perfumado o alado aroma;
Tudo enfim que se vê, ouve e suspira,
	Repitam: Eles amaram!
(Trad. de Maciel Monteiro)

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