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LITERATURA

Acepções usuais do termo literatura

Na Roma antiga, as palavras literatura e gramática desfrutavam da mesma significação, justamente porque traduziam ambas o alfabeto; a primeira em latim e a segunda em grego.

Por esses motivos, gramáticos e literatos, eram considerados não só os que se interessavam pelo acurado estudo das formas vocabulares, mas também pela correção e retificação dos textos, à semelhança da exegese (Comentário para esclarecimento ou interpretação minuciosa de um texto ou de uma palavra; especialmente em relação a gramática) que de Homero haviam feito os sábios alexandrinos, como também os que se aplicavam à solução das questões pertinentes ao belo, à crítica dos modelos poéticos e enfim, a tudo que estivesse dentro dos limites da estética e da ciência e arte literária. Nesse contexto a literatura foi empregada com diferentes sentidos, até os nossos dias.

HOJE AS ACEPÇÕES MAIS USADAS QUE PÕE TERMO A LITERATURA SÃO:

Filosofia literária:

Conjunto das obras literárias, a manifestação do engenho humano, expresso por meio da palavra falada ou escrita; consideradas nas leis que regem a sua produção.

História literária:

O estudo das obras literárias, faladas ou escritas, de fatos variáveis e individuais de um ou vários países.

Filosofia da história literária:

Aplicação do estudo das leis ao estudo dos fatos ou dos princípios gerais da ciência literária às manifestações particulares com o fim de julga-las, tendo certo caráter crítico.

Arte literária:

Literatura que em geral é a obra literária, no sentido da bela-literatura, acrescida do elemento estético.

DEFINIÇÃO DE LITERATURA

É o conjunto das produções do intelecto humano, falada ou escrita, que despertam o sentimento do belo pela perfeição da forma e pela excelência das idéias. (não é a obra literária em toda a sua extensão, mas só a que é capaz de provocar uma emoção).

OBJETO DA LITERATURA

É a obra literária, genericamente falando, seria qualquer produção intelectual escrita ou falada. Esteticamente, é obra literária se provocar emoção.

Na obra literária se distingue a matéria ou o conteúdo que são as idéias; e a forma ou o continente que é o estilo. A arte literária se aplica de preferência a forma, porque é por esta que a matéria adquire existência. Essa distinção é puramente teórica ou didática.

Na verdade idéia e a forma são a mesma coisa, não se separam. É impossível exprimir uma idéia que não tenha forma. Mudando a forma, muda-se a idéia e a modificação da idéia arrasta a da forma. Para quem escreve, é necessário preocupar-se primeiro com a forma, visto que ela compreende a idéia e é nela que está o valor de uma obra de arte…

DUAS FORMAS DE ESCREVER *

* uma literária, que pertinente à obra literária considerada no seu sentido restrito o estético;

* outra não literária, sendo qualquer obra literária que careça do elemento artístico, que não revela característica pessoal alguma, e a linguagem é desprovida de qualquer traço distintivo e impressionante.

Obra literária, sob o ponto de vista artístico, é a que agrada, que exprime o belo, provocando uma emoção estética.

DOMÍNIO DA LITERATURA

Arte literária:

é o conjunto de preceitos segundo os quais deve ser composta a obra literária, afim de que nos possa emocionar.

é o meio adequado de representar o belo literário.

As produções intelectuais do engenho humano, escritas ou faladas, todas obras literárias na acepção geral, distinguem-se em obras literárias e em obras não-literárias, na acepção estética. As literárias expressam o belo.

"A ausência da generalidade no pensamento, exclui da literatura todas as produções científicas ou práticas que se restringem a um campo especial. E a ausência da generalidade da expressão, exculpe da literatura todas as produções científicas ou práticas em que se emprega uma língua especial".

Na primeira se possibilita a admissão dos trabalhos de larga filosofia ou alta política no seio da literatura. Na Segunda torna efetiva essa admissão.

Essa diferenciação se baseia no Dom que a literatura possui de despertar um interesse geral, isto graças à generalidade no pensamento e na expressão. Ainda para um melhor entendimento o que separa a literatura da ciência é que esta é saber, conhecimento, verdade, aquela, emoção.

Segundo Letourneau, a mais fundamental das origens da literatura, é de natureza biológica, e se prende ao mecanismo fisiológico da expressão. A atos reflexos.

A forma: possui duas espécies: uma literária a que se dá o nome de estilo, pertinente à obra literária considerada no seu sentido restrito – o estético; outra, não-literária.

A arte literária em sua unidade:

Toda obra literária para chegar à sua completa integração, há de passar necessariamente por três momentos: concepção, composição e publicação.

CONCEPÇÃO DA OBRA LITERÁRIA

A invenção:

Consiste no esforço de espírito para encontrar um assunto e os desenvolvimentos que se relacionam com ele.

Entretanto, como se colhe da definição, para se encontrar um assunto e os meios de representação que ele próprio sugere como os mais adequados, não é necessário somente pensar, refletir, isto é, "amadurecer o assunto para romance, fábula, diálogo, descrição, narrativa ou discurso", é preciso também possuir pelo menos engenho, talento.

A invenção é um Dom, não se ensina. O estudo, por mais acurado que seja não a substitui. Mas corrige-a, melhora-a, amplia-a. Sobretudo disciplina-a.

Na antiga retórica, estudava-se sob o nome de invenção um conjunto de regras, cujo fito era auxiliar ao orador a achar o que dizer - reperire quid dicat, sendo o seu objeto fazer descobrir os meios adequados ao fim desejado.

Assim hoje, a invenção em si é um Dom, como objeto de estudo, como fonte de aproveitamento para a arte literária, é um conjunto de regras, de conselhos.

A primeira dessas regras é sentir o assunto, pois só se escreve bem, quando se sente bem.

Em geral, escreve-se bem sobre o que se passa conosco, porque sentimos. Não se dá o mesmo com um assunto estranho, que exige de nós um grande esforço de penetração, esforço em que colaboram todas as faculdades psicológicas.

Isto eqüivale a sentir o assunto; e sentindo-o, é só como podemos encontrar os desenvolvimentos que se relacionam com ele.

Aí está a que se limita a invenção, e não é pequeno o seu papel.

A invenção supõe poder artístico.

Este, sob o ponto de vista literário, é a aptidão para produzir o belo literário.

Ou, por outras palavras, é no artista, a reunião de diversas faculdades que o tornam capaz de realizar a obra literária.

Nem todos possuem essas faculdades no mesmo grau de intensidade nem nas mesmas condições, o que concorre para diferenciar o poder artístico de indivíduo para indivíduo.

As faculdades de produção do belo literário, pela ordem ascendente, são: a habilidade técnica, o talento e o gênio.

A habilidade técnica, literalmente falando, consiste no desembaraço e na facilidade com que se maneja o material da composição.

O talento geral define-o Wundt: "é uma inclinação, no homem, capaz de imprimir uma direção especial aos seus dotes de fantasia e de intelecto".

Quando o gênio, divide-se em pessoal, condicionado por possibilidades individuais; e em exogênico, originado de influências externas.

Pode-se dizer, entretanto, que o gênio é o talento elevado ao grau máximo, caracterizando-se sobretudo pela criação.

A disposição:

É a ordenada colocação dos materiais da composição.

Uma vez descoberto o assunto, é necessário colocar numa ordem lógica, progressiva e interessante as idéias que devem dar a impressão do conjunto.

Quer dizer que a disposição visa a unidade na variedade.

"Um trecho de literatura, seja ele qual for, discurso, descrição, carta ou narrativa, faz-se, tendo em mira a unidade. Deve tender para um efeito geral. Mas os pormenores são ali necessários; os incidentes agradam; necessário que haja muitas idéias, muitas imagens, numa palavra, variedade. Conciliar a variedade com a unidade é uma questão de tacto e de gosto".

A unidade é o produto de três fatores: ordem, ligação e movimento.

Em toda obra literária deve haver uma idéia principal. As outras idéias que figuram na obra para dar relevo a certos trechos, são idéias secundárias, e por isso, se subordinam àquela, desenvolvendo-a.

Nisto é que está o caráter unitário da obra literária.

Pela ordem, colocam-se nos seus respectivos lugares as idéias de que se compõe a obra literária.

Pela ligação, prendem-se essas idéias de tal forma que resulte um todo harmônico; esse encadeamento faz-se por transições naturais, isto é, de tal maneira que a estas não falte nexo nem espontaneidade.

Pelo movimento, dirigem-se as idéias numa progressão descendente ou ascendente, conforme a conveniência ou a natureza da obra.

O que produz a variedade na obra literária é o emprego comedido da linguagem figurada, das digressões, episódios e acessórios.

São artifícios de grande importância: quebram a monotonia da narração ou a dureza de muitas exposições; descansam o espírito; estimulam a atenção.

Numa palavra, varietas delectat, como diziam os antigos.

Composição da obra literária:

A elocução ou estilo

É a elocução, terceira e última operação fundamental da obra literária, a mais importante de todas, porque só nessa ocasião é que se realiza a comunicação do espírito do autor com o do leitor.

Há duas espécie de elocução: uma gramatical, que não é mais que a vulgar maneira de expor as idéias, de traduzir o pensamento por palavras faladas ou escritas; e outra, literária, a que se chama estilo, apresentando uma forma artística.

"O ESTILO - escreve Albalat - é a maneira privativa, que cada um tem, de exprimir o seu pensamento pela escrita ou pela palavra…"

O estilo é o cunho pessoal do talento.

Quanto mais original é o estilo, quanto mais empolgante ele é, mais pessoal é o talento.

O estilo é a expressão, a arte da forma, que torna sensíveis as nossas idéias e os nossos sentimentos; é o meio de comunicação entre os espíritos.

Não é somente o Dom de exprimir os nossos pensamentos, é a arte de os tirar do nada, de os fazer nascer, de ver as suas relações, é a arte de os fecundar e de os evidenciar.

O estilo abrange a idéia e a forma.

Devemo-nos persuadir de que a coisa que se dizem não impressionam, senão pela maneira com se dizer.

"Todos nós pensamos pouco mais ou menos as mesmas coisas, de um modo geral; a diferença está na expressão e no estilo; este eleva o que é comum, encontra novos aspectos para o que é banal, engrandece o que é simples, fortifica o que é fraco…"

O estilo é uma criação de forma pelas idéias e uma criação de idéias pela forma.

O escritor chega a inventar palavras para indicar novas relações.

O estilo é uma criação perpétua: criação de combinações, de tom de expressão, de palavras e de imagens.

"A grande, a essencial qualidade do estilo é a originalidade".

Quando a personalidade do autor é tão assinalada que este, pela sua obra, pode ser distinguido de qualquer outro, há originalidade de estilo.

A linguagem

"A linguagem - na definição de Giácomo de Gregório - é o complexo de sinais orais e audíveis de que a humanidade se serve para representar e comunicar idéias" .

A definição visa a linguagem em geral, meio comum de expressão do pensamento. Mas quando esse meio de expressão deve ser adequado à obra literária, a linguagem já se diz literária. E como o estilo carece de variedade, isto é, de meios de ornamentação, a linguagem é adornada pelas figuras e tropos, dizendo-se então figurada.

A linguagem em geral

A linguagem em geral pode ser oral ou escrita. ORAL, é um sistema de sinais fonéticos natural e intuitivamente empregados para exprimir o pensamento.

Nasceu do grito, que é o embrião da palavra e o seu elemento significativo.

ESCRITA, é um conjunto de sinais visuais que, por convenção, representa as idéias.

"É uma pintura abreviada", como observa Maspero.

Os elementos de composição das diferentes combinações de sinais estão consubstanciados e reunidos no alfabeto..

O alfabeto é a coleção de sinais gráficos empregados para fixar as palavras, de acordo com a sua pronunciação.

Uma vez fixadas as palavras, segundo o espirito fonético, pelo alfabeto, a linguagem escrita lança mão desse meio para fixar as idéias, o pensamento.

A linguagem escrita, sistema de sinais permanentes, de acordo com o alfabeto, pode ser classificada em:

Ideográfica os sinais representam idéias.

Fonética sinais representam sons.

Hieroglífica os sinais são simultaneamente ideográficos e fonéticos.

LINGUAGEM LITERÁRIA

É o meio adequado para a expressão da obra literária.

Podemos exprimir os nossos pensamentos, as nossas idéias, de uma maneira vulgar ou com uma preocupação artística.

Esta última forma caracteriza a linguagem literária.

Daí a necessidade de preencher certas condições quanto ao fundo, à forma e à individualidade da obra literária.

Quanto ao fundo, as condições são: verdade, beleza e bondade.

Quanto à forma, as condições se repartem pelo domínio da gramática e pelo, da retórica.

Naquele estão compreendidas: pureza, correção e clareza; neste harmonia, conveniência e variedade.

Duas são as formas de expressão da obra literária, o que eqüivale a dizer - duas são as maneiras da linguagem literária: prosa e verso

A prosa (do latim prosa (de pro e versus), direita, que vai em linha reta) é a expressão sem forma métrica, ou melhor, não sujeita a um certo número de sílaba e ao ritmo.

Pode ser solta, quando a linguagem é simplesmente expressa; e poética, quando a linguagem é ornada, revestindo-se a expressão de colorido e vivacidade, de harmonia e cadência.

O verso (do latim versus, virado, voltado) é a expressão de forma métrica, isto é, sujeita a um certo número de sílabas e ao ritmo.

Pode ser rimado, quando há correspondência de sons na terminação das palavras de certos e determinados versos; e solto, quando não há essa correspondência.

"Submetido, como é o verso, a uma medida rigorosa - diz D. Estrada -, resultam, das pausas determinadas pelas sílabas fortes, várias cadências, mais ou menos regulares, que transmitem ao nosso órgão auditivo uma impressão agradável e musical. É a isso que se chama ritmo".

A LINGUAGEM FIGURADA

A linguagem literária aumenta de força e de beleza, quando se usa processo a que os antigos davam o nome de ornato. Este processo consistem no emprego de tropos e figuras, e constituí a variedade da linguagem literária.

Esta sob o ponto de vista do ornato, distingue-se em direta e indireta ou figurada.

Diz-se direta, quando as palavras guardam o seu sentido primitivo. Neste caso, nas sua relações, as palavras mostram as forças gramaticais mais simples.

Diz-se indireta ou figurada, quando as palavras são empregadas no sentido translato, isto é, quando passam a significar algo que exprime uma relação de semelhança com o que elas traduziam primitivamente. Neste segundo caso, as palavras, nas suas relações, assume formas mais complexas e irregulares.

O fundamento da linguagem indireta é a comparação.

Publica-se a obra literária, quando ela é dada a conhecer a um número indeterminado de pessoas. A publicação pode ser feita: falando, escrevendo ou representando.

Daí três espécie de público: ouvintes, leitores e espectadores

O público se distingue em: inculto e culto. O primeiro, sem base sólida, sobretudo sem gosto para apreciar a obra, julga apenas pela impressão que esta lhe causa.

O segundo dispõe de meios para a apreciação, mas como este não são iguais em todos, o público culto se subdivide gradativamete em: afeiçoado, inteligente e crítico.

A crítica literária é uma análise das produções do talento literário: um ato lógico que supõe o gosto (juízo estético) e ilustração.

Aqui a crítica literária é formada objetivamente.

O gosto individual, por si só, não poderia se erigir em critério de apreciação do mérito da obra literária: o gosto varia, mesmo entre os juizes competentes, abstraindo-se a sua ilustração.

É preciso aliar ao gosto a ilustração; e por ilustração, compreende-se aqui um conjunto de princípios que permitem determinar as virtudes essenciais ou intrínsecas da obra literária, e transmitir a outros o resultado dessa determinação.

Em virtude desses princípios, que resultam aos olhos de todo talento crítico, é que o gosto pessoal não se torna um obstáculo à verdadeira crítica.

Antes se dividia a literatura em gêneros: em prosa e verso de acordo com as formas gerais de expressão, porém não se aceita mais esse critério

"Cada finalidade especial dentro de qualquer arte – diz: Giner de los Rios - constitui um gênero. E como a arte se divide por seu fim em bela, útil e composta, aplicando a lei à arte literária, teremos uma literatura bela ou poesia, uma literatura útil ou didática e uma literatura belo-útil ou oratória".

Eis os gêneros literários: três grupos naturais de todas as manifestações análogas em que se pode dividir a literatura.

Esses podem se desdobrar em sub gêneros, de acordo com o caráter que o conteúdo de cada um apresentar.

A POESIA

Cujo étimo grego traz o significado de criação, supõe no artista a intenção de produzir a beleza.

Poeta é o que possui idealidade, ou seja o poder de descobrir encarnações supremas da beleza

O que caracteriza a poesia, é, pois a beleza. Entretanto, nem tudo o que é belo é poético.

"Para que encontremos poesia no mundo ou na arte - escreve G. de los Rios – necessitamos experimentar determinadas emoções, tais como a paz, a doçura, o bem-estar, a languidez, a melancolia, etc. todas aquelas, em suma que provêem da natureza ou da alma em que sentimos com pureza impressões simples, sem mistura de luta (agradáveis ou desagradáveis). A tristeza, a gratidão, a saudade, são poéticas. Tudo quanto na vida ou na arte não apresente luta nem contraste, quer seja a impressão prazenteira, quer dolorosa, cai dentro da poesia. Seus caracteres são, pois, a singeleza a tranqüilidade, a pureza. Quer dizer que a poesia, como qualidade comum nas artes e na vida, não se pode achar em coisas complicadas, nem violentas, nem impuras"

A poesia, no campo literário, é "a expressão da beleza, mediante uma forma artística de linguagem".

Não é essencial que esta forma de linguagem seja versificada: "basta que a palavra poética seja artística, isto é, estudada, expressiva e comovente" "mas a versificação é indispensável, como completo, a determinadas espécie de poesia"

Todas as manifestações poéticas encontram classificação em três grupos de poesia: épica, lírica e dramática.

A poesia épica é representada por todas as composições poéticas em que o autor, alheio à sua pessoa, narra fatos histórico ou fabulosos.

Consiste na narração, como indica o étimo grego epos, mas na narração de assuntos passados e estranhos à pessoa do poeta.

Diferencia-se da lírica, porque nesta o poeta canta as suas próprias impressões. E da dramática, pelo fato de esta não ser uma narração, mas uma encarnação das idéias e dos sentimentos do poeta em personagens que se movem com todos os atributos da vida.

A poesia épica, pelo fato de narrar acontecimentos históricos, não se confunde com a história: esta conta os fatos sem alterá-los, nem orná-los, ao passo que o poeta épico inventa o que lhe agrada, limitando-se apenas ao verossímil".

Os elementos do poema épicos são: ação, que é a matéria escolhida pelo poeta para assunto do seu poema; personagens, isto é, os indivíduos que intervêm na ação; maravilhoso, que traduz a intervenção de poderes sobrenaturais que auxiliam ou impedem a realização da ação; e forma: esta é a narrativa.

Entre as espécie de poesia épica, está em primeiro lugar a epopéia.

A epopéia é não só a produção suprema da épica, como também de toda a poesia e até de toda a literatura.

Foi definida: "a total expressão da beleza objetiva em todos os seus elementos, como fórmula sintética de uma civilização".

Há outras espécie de poesia épica, como: o poema didático, o poema histórico (que em prosa se diz novela), o poema herói-cômico, a sátira.

POESIA LÍRICA

O traço mais característico da poesia

Épica como vimos é sua objetividade: o épico narra apenas fatos do mundo exterior. A poesia lírica, pelo contrário, é de caráter pessoal, subjetiva portanto: o lírico descreve as suas impressões.

A primeira exprime o pensamento: a Segunda, o sentimento do poeta.

As produções líricas eram cantadas pelos antigos poetas gregos ao som da lira: daí o seu nome genérico.

A lírica não tem ação, e a sua forma é a descritiva. A forma narrativa só se amolda às composições que se classificam entre a épica e a lírica.

O que lhe constitui a matéria, entretanto, são fatos afetivos como a alegria, a tristeza, o tédio, a melancolia, o amor, etc.

O lirismo admite graus, o que se afere pela maior ou menor individualidade na expressão dos sentimentos.

De acordo com a forma, distinguem-se as seguintes espécie principais de poesia lírica: ode, elegia e canção. Há outras espécie secundária, como: o soneto, o madrigal, a poesia bucólica.

A Poesia dramática: tragédia, comédia e drama

A Poesia dramática é simultaneamente subjetiva e objetiva: nela se combinam harmonicamente a épica e a lírica.

E o que a distingue dessas duas, é o fato de que ela representar uma ação particular da vida humana, considerada como presente, servindo-se para isso de personagens que falam e gesticulam.

Os elementos do poema dramático são: ação, personagem e forma.

A dramática simboliza uma luta - a vida humana nos seus diversos aspectos; uma luta em que as lágrimas alternam com o riso, e o sublime com o ridículo.

Daí a sua divisão em: tragédia, comédia e drama.

A TRAGÉDIA (do grego tragos = bode e ode = canto), na sua origem, era na Grécia uma narração épica das aventuras de Baco, Constituíam-na hinos cantados e dançados em torno do altar do deus, enquanto se fazia o sacrifício de um bode. Depois passou a representar a luta do homem contra o destino intervindo deuses e heróis.

O assunto da tragédia é a colisão das grandes paixões, terminando sempre pela catástrofe, que quer dizer desenlace e não desdita.

O que se exige na tragédia, é que a luta seja solene, a ação heróica e as paixões extraordinárias; e que o interesse se concentre no protagonista, recaindo sobre este a catástrofe.

A COMÉDIA ( do grego come = aldea e ode = canto; ou de comos = banquete e ode = canto) originou-se das festas dionisíacas. Depois do sacrifício, o povo se travestia de silenos e sátiros e formava um préstito em que se dançava com acompanhamento de música. Os torneiro líricos que se executavam nessas festas populares deram nascimento à comédia.

A comédia grega, dividia-se em: política, alegoria e de costumes, representadas respectivamente por Aristófanes, Antífanes e Menandro.

A comédia moderna é de caráter, de enredo ou de costumes, conforme exponha ao ridículo um personagem, exiba uma intriga ou critique um costume.

O que caracteriza a comédia é a beleza cômica, cujo campo de ensaio é a vida particular.

O DRAMA, forma composta das anteriores, tem por fim representar a vida nos seus aspectos simultaneamente sérios e cômicos, naturais e violentos, solenes e vulgares.

O essencial no drama, é que por fim se restabeleça a normalidade e tudo acabe da melhor forma; do contrário, não se diferençaria da tragédia.

Pode-se dividir o drama, de acordo com o predomínio do elemento trágico - drama trágico, ou com o do elemento cômico - tragicomédia dos antigos, alta comédia dos modernos; ou de acordo com o assunto: psicológico, de ação filosófico.

A DIDÁTICA

Matéria e forma da didática

A ciência se propõe a investigar a verdade e a expo-la. Como investigação escapa ao domínio da arte literária. Mas, como exposição, cai sob sua jurisdição, e se torna um gênero literário - a didática.

A matéria deste gênero, cuja principal finalidade é a instrução, é constituída por literatura útil, isto é, por todos os conhecimentos sistematizados e disciplinados pelo método.

Por isso, enquanto para o poeta a imaginação é a faculdade que maior importância representa, para o didata, cabe à razão esse lugar de relevo.

As qualidades gerais do estilo didático se resumem em: clareza, precisão e naturalidade.

E a sua forma é descrição ou a narração.

A NARRAÇÃO, que, com a descrição, fundamentam a arte literária, consiste em apresentar uma assunto com beleza, verdade e interesse.

Sobretudo com interesse.

"Não é novidade – escreve Albalat – que todo o valor da narração esteja no interesse, habilmente distribuído, isto é, na graduação com que se encaminha e se aumenta a curiosidade do leitor, prendendo-o aos acontecimentos que se expõe, e dando-lhe o desejo de chegar ao desfecho. O interesse de uma narração depende da maneira de tratar, de coordenar, de alongar, de desenvolver a exposição, e entrecho, o desenlace" Albalat, a Arte de Escrever, p 230.

A DESCRIÇÃO, sob o aspecto puramente literário – di-lo ainda Albalat – "é a pintura animada dos objetos… É um quadro que torna visíveis as coisas materiais. Numa palavra, o fim da descrição é dar a ilusão da vida. A sua razão de ser, o seu esforço, a sua ambição, é fazer viver, tornar vivos, materiais e tangíveis os pormenores, as situações, os seres, tudo que é físico, principalmente a natureza".

Quer dizer que a qualidade essencial da descrição é a vida.

A realidade e o relevo não são mais que expressões da vida.

A descrição didática é algo diferente: apresenta-se particularmente como uma explicação.

Mas, nem por isso, deixa de participar das qualidade da descrição em geral.

Divisão da didática

A didática pode ser dividida de acordo com o objeto das ciências ou com a forma pela qual aquele objeto é conhecido.

No primeiro caso, distingue-se em: ciências teológicas, que tratam de Deus, e a ciências cosmológicas, que estudam o mundo e o homem.

No segundo caso, em: ciências filosóficas, ciências históricas e ciências histórico-filosóficas.

A FILOSOFIA é a investigação de todas as verdades acessíveis pela luz da razão.

Abrange todas as esferas do pensamento humano: é o saber, unificado na definição de Spencer.

Há composições notadamente literárias, cujas idéias são fornecidas pela filosofia. As principais são: o caráter, o retrato, o elogio, o paralelo e a crítica.

A HISTÓRIA é a ciência dos acontecimentos sociais passados e das causas que os produziram

Sob o ponto de vista literário, é "a exposição ordenada e metódica" dos fatos da vida humana. A arte literária se preocupa sobretudo com a forma externa pela qual esses fatos são narrados.

Pode ser de forma narrativa, descritiva e expositiva, conforme relate fatos, exprima uma relação de tempo ou de lugar, ou enfim de a conhecer idéias e instituições.

A história, na sua origem, era uma dependência da poesia, e recolhia os fatos pela tradição oral.

Depois se emancipou e constituiu: as efemérides, os anais, as crônicas, as memórias, as monografias e as biografias.

Há outras composições que embora não pertençam ao gênero histórico, ligam-se a ele, ou porque narram ou porque o auxiliam com informações acerca dos costumes, crenças e instituições de um povo, em diferentes épocas.

Tais são as lendas e tradições escritas e os romances.

A oratória (eloqüência)

A oratória, gênero literário belo-útil cujas obras são chamadas orações ou discursos, abrange todas as composições que têm por fim persuadir e comover os ouvinte.

E como a faculdade que mais eficientemente se propõe à persuasão é a eloqüência, a oratória não raro é conhecida por esse nome.

A eloqüência é o poder de persuadir, mediante a palavra e o gesto.

Matéria e forma da oratória

A MATÉRIA da oratória é constituída por dois elementos, a saber: pelos argumentos e pelas paixões.

O ARGUMENTO é uma prova.

Na oratória, o argumento perde a rigidez dialética, que desaparece no colorido da frase literária.

Os antigos haviam assinalado ao discurso diversas regras, no tocante à arte de descobrir as provas (tópicos).

Hoje, essas regras se reduzem à meditação do assunto, ao exame das circunstâncias e ao estudos das pessoas.

PAIXÕES são os recursos usados pelo orador a fim de comover.

A paixão é um elemento patético: dirige-se ao sentimento.

O emprego da paixão deve ser oportuno, dependendo o grau desse artifício da grandeza da matéria e da condição do auditório.

A oratória tem um estilo próprio, que se distingue pelo emprego de imagens tal como na poética, pela linguagem veemente, e pela explicação dada aos conceitos, afim de que se gravem no ânimo do auditório.

Na FORMA oratória, considera-se o plano do discurso, que consta das seguintes partes: exórdio, exposição e peroração.

Divisão da oratória

Antigamente, usava-se dividir a oratória em: demonstrativa, deliberativa e judicial, conforme se ocupasse de um assunto importante dos interesse públicos ou das questões forenses.

Hoje, porém, a divisão mais admitida é a que distingue a oratória em: sagrada, forense, política e acadêmica.

Entre os gêneros derivados da oratória, podem-se mencionar dois: o gênero epistolar e o jornalismo.

Fim da primeira parte.

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