Make your own free website on Tripod.com

LONGFELLOW

HENRY WADSWORTH LONGFELLOW Nasceu em Portland, Maine, em 1807, descendente dos primeiros colonizadores. Educou-se em escolas particulares, formando-se, em 1825, pela Faculdade Bowdoin. Logo após o doutoramento, a Faculdade lhe ofereceu a cadeira de línguas modernas, sob a condição de ir aperfeiçoar-se no estrangeiro. Demorou-se de 1826 a 1829 na França, Espanha, Itália e Alemanha. A partir de 1836, lecionou em Harvard, firmando sua reputação literária. Seu primeiro livro de poesia, "Voices of the Nigth", foi seguido de "Ballads and Other Poems", contendo poemas que logo se tornaram favoritos do público, como "The Village Blacksmith", "The Wreck of the Hesperus", "Excelsior" etc. Em "Poemas on Slavery" manifesta-se partidário da emancipação. Sua fama ampliou-se com "The Spanish Student", drama poético; "Evangéline", poema narrativo desenrolado na Acádia; "The Belfry of Bruges and Other Poems", "Kavanagh", história semi-autobiográfica em prosa; "The Seaside and the Fireside", "Te Gorden Legend" e "Hiawatha", talvez a mais afamada das criações de Longfellow. Morreu em 1882.

A MESTIÇA

O navio negreiro fundeava,
Ociosa a vela, na lagoa grande,
O despontar da lua ele esperava
E a fresca aragem que a noitinha expande.

No bote preso à praia a marinhagem
Em vãos lazeres com o olhar seguia
Um pardo jacaré que entre a sarçagem
Deslizava na plácida baía.

De laranjais e bosques recendentes
Sentiam vago olor de quando em quando
Como do paraíso auras nascentes
Sobre um mundo cheio de mal soprando.

O fazendeiro no palhal fumava
Bem devagar e pensativamente;
Pôs o negreiro o polegar na aldrava
Como quem sai precipitadamente.

Dizia ele: "Meu navio ancora
No lago grande, junto à herdade tua;
As marés da noitinha espero agora
E que desponte a peregrina lua". 

À frente de ambos, com a face erguida,
Numa modesta e tímida postura,
Curiosa em parte, em parte espavorida,
Era a mestiça, virgem criatura.

Seus grandes olhos grande luz vertiam;
Seu colo e braços eram nus, - somente
Vistosa saia a carne lhe cobriam
E  cor de corvo  a cabeleira ingente.

Um sorriso dos lábios lhe fugia,
Tão aéreo, tão meigo e divinal,
Qual semblante de santa que alumia
A nave de formosa catedral.

"A terra está cansada", o fazendeiro
na antiga herdade pensativo diz;
E contemplava o ouro do Negreiro,
E contemplava as faces da infeliz.

No íntimo dele o coração lutava
Contra o ganho maldito, pois sabia
Que paixões deram nascimento à escrava
E que sangue nas veias lhe corria.

Mas a frouxa voz da natureza ouvindo,
Do ouro tomou, em peças sonorosas!
Palor de morte vela o rosto lívido.
E esfriam, como neve, as mãos mimosas.

Leva o negreiro a trêmula menina
E a conduz pela mão avante, avante,
Para sua escrava e concubina
Numa estrangeira região distante!
(Trad. ignorada)

FOLHETIM | LITERATURA | GRAMÁTICA | CONTATO | HTML