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MÁRIO QUINTANA

Nasceu no Alegrete. "lugar onde há campo e gado e o céu conversa com a terra nas horas de folga.", e como diz Bandeira Quintana escutou essa conversa, desde pequeno, e tornou-se poeta. Foi para Porto Alegre, obteve o primeiro lugar num concurso do Diário de Notícias, com um conto um dos poucos que produziu seu papel era ser poeta e isso, foi, publicou Rua dos Cata-ventos coleção de sonetos.


CANÇÃO DE UM DIA DE VENTO

O vento vinha ventando
Pelas cortinas de tule.
As mãos da menina morta
Estão varadas de luz.
No colo, juntos, refulgem 
Coração, âncora e cruz,
Nunca a água foi tão pura…
Quem teria abençoado?
Nunca o pão de cada dia
Teve um gosto mais sagrado.
E o vento vinha ventando
Pelas cortinas de tule…
Menos um lugar na mesa
Mais um nome na oração.
Da que consigo levara
Cruz, âncora e coração
(E o vento vinha ventando…)
Daquela de cujas penas 
Só os anjos saberão!



Pequena crônica policial

Jazia no chão, sem vida,
E estava toda pintada!
Nem a morte lhe emprestara
A sua grave beleza…
Com fria curiosidade,
Vinha gente a espiar-lhe a cara,
As fundas marcas da idade,
Das canseiras, da bebida…
Triste da mulher perdida
Que um marinheiro esfaqueara!
Vieram uns homens de branco,
Foi levada ao necrotério.
E quando abriam, na mesa,
O seu corpo sem mistério,
Que linda e alegre menina
Entrou correndo no céu?!
Lá continuou como era
Antes que o mundo lhe desse
A sua maldita sina:
Sem nada saber da vida,
De vícios ou de perigos,
Sem nada saber de nada…
Com a sua trança comprida,
Os seus sonhos de menina,
Os seus sapatos antigos!

Mário Quintana, Prosa & verso.

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