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RAIMUNDO CORREIA

Raimundo da Mota de Azevedo Correia (1859-1911) o maior de nossos poetas parnasianos. "O maior artista do verso que já tivemos" afirmou Manuel Bandeira. Deixou diversos volumes "Poesias" que reúne os melhores poemas dos seus livros "Primeiros Sonhos", "Sinfonias", 'Versos e Versões" e "Aleluias".



MAL SECRETO

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse, o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez, existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

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