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SANTA RITA DURÃO

Frei José de Santa Rita Durão nasceu em Cata-Preta, distrito de Mariana, entre 1717 e 1720. Era filho de um militar português. Fez estudos de humanidades no Colégio dos Jesuítas do Rio e doutorou-se em Teologia pela Universidade de Coimbra, da qual foi mais tarde reitor. Pertenceu à ordem de Santo Agostinho. Por motivo ainda não apurado, teve que deixar Portugal, passando-se à Espanha e depois `a Itália. Em Roma foi patrocinado pelo papa Clemente XIV, que o nomeou bibliotecário da "Biblioteca Lancisiana". Nesse cargo uma cadeira na Universidade de Coimbra, sendo satisfeito na sua pretensão. Faleceu 3m 1784. Durão ficou em nossa literatura como autor da epopéia intitulada "Caramurú". A ação dela é do descobrimento da Baía, por Diogo Álvares Correia, o Caramurú, mas o poema compreende em vários episódios a história natural e política do Brasil, e os tiro, tradições e milícias dos seus indígenas. Para narrar os fatos da nossa história posteriores à ação principal, valeu-se o Poeta, como artifício literário, de um sonho e visão de Paraguassú", a índia sobre a qual se formara a lenda de ter sido levado por Diogo Álvares à França, onde casaram na corte de Henrique II e Catarina de Médicis, que teriam sido seus padrinhos. Apegado em tudo ao modelo camoniano, o poeta escreveu sua epopéia em oitava rima. Pela correção da linguagem, Durão figura ente os clássicos do nosso idioma.



FRAGMENTO DO "CARAMURÚ"
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II
Dormindo esta Paraguassú formosa,
Onde um claro ribeiro à sombra corre; 
Lânguida está, como ela, a branca rosa,
E nas plantas com calma e vigor morre;
Mas, buscando a frescura deleitosa
De um grão maracujá, que ali discorre,
Recostava-se a bela sobre um posto,

III

Respira tão tranqüíla, tão serena,
E em languor tão suave adormecida,
Como quem livre de temor, ou pena,
Repousa, dando pausa à doce vida.
Ali passar a ardebte sesta ordena
O bravo Jararaca a quem convida
A frescura do sítio e sombra amada,
E dentro d'água a imagem da latada.

IV
No diáfano reflexo da onda pura
Avistou dentro d'água buliçosa,
Tremulando, a belíssima figura.
Pasma, nem crê que imagem tão formosa
Seja cópia de humana criatura.
E, remirando a face prodigiosa,
Olha de um lado e doutro, e busca atento
Quem seja original deste portento.

V
Enquanto tudo explora com cuidado,
Vai dar c'os olhos na gentil donzela;
Fica sem uso d'alma arrebatado,
Que toda quanta tem se ocupa em vê-la:
Ambas fora de si desacordado
Ele mais de observar causa tão bela,
Ela absorta no sono em que pegara,
Ele encantado a contemplar-lhe a cara.

VI
Quisera bem falar, mas não acerta,
Por mais que dentro em si fazia estudo.
Ela de um seu suspiro olhou, desperta;
Ele daquele olhar ficou mais mudo.
Levanta-se a donzela mal coberta,
Tomando a rama por modesto escudo;
Pôs-lhe os olhos então, porém tão fera,
Como nunca a Beleza ser pudera.

VII
Voa, não corre pelo denso mato,
A buscar na cabana o seu retiro;
E, indo ele a suspirar, vê que num ato,
Em meio ela fugiu do seu suspiro.
Nem torna o triste a si por longo trato,
Até que, dando à magoa algum respiro,
Por saber donde habite, ou quem seja ela,
Seguiu, voando, os passos da donzela.

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