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SILVA ALVARENGA

Filho de um músico mestiço e pobre, Manuel Inácio da Silva Alvarenga conseguiu, graças a auxílio de um grupo de amigos do pai, educar-se no Rio de Janeiro. Tendo herdado a facilidade paterna para a música. Estudante de Letras em Coimbra, compôs um poema herói-cômico, "O Desertor das Letras", sátira aos velhos métodos de ensino seguidos na Universidade antes da reforma de Pombal. Em regresso ao Rio viveu como professor de retórica e poética. Deve-se-lhe a iniciativa da fundação, em 1786, da "Sociedade Literária". Sua principal obra "Glaura", traz como subtítulo "Poemas eróicos de um americano".


OS SUSPIROS

Se algum dia, Glaura bela,
Visitar estes retiros;
Ouça os míseros suspiros,
Que infeliz entrego ao ar.
Seja este áspero rochedo
Quem repita as minhas mágoas;
E o ruído destas águas
Quem lhe pinte o meu pesar.
Ah! conserva, amor, que ouviste
O meu triste suspirar.

Guarda amante e compassiva
Flébil eco, que me escutas,
Na aspereza destas grutas
Retratado o meu penar.
Aqui Glaura pela tarde
Que decline a calma espera,
Qual a deusa de Citera
Quando sai do fundo mar.

Ah! conserva, amor, que ouviste
O meu triste suspirar.

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